Nove convicções provenientes da pregação bíblica

Os pontos em que verdadeiramente eremos determinam o que fazemos. Os aspectos em que eremos no cerne do nosso coração acerca da pregação determinarão como nós a realizamos.

Nesse sentido, nada pode ser mais prático do que nossa teologia da pregação. As nove convicções a seguir são fundamentais para a pregação bíblica.

1. O objetivo fundamental da pregação é agradar a Deus

E uma convicção central da fé que Deus é soberano e que todas as coisas precisam ser feitas para agradá-lo.

Agradar a um Criador soberano significa descobrir o que ele deseja e, por meio de sua graça, fazer sua vontade. Pregar a Palavra de Deus do modo de Deus deveria ser o alvo de pregadores fiéis.

Como soberano, Deus nos diz o que pregar e como fazer isso. Ministros da Palavra não têm o direito de se desviar de suas instruções. Idéias e especulações humanas, portanto, precisam ser estranhas ao púlpito.

2. A pregação agrada a Deus unicamente quando é fiel às Escrituras

A pregação cristã começa com as Escrituras. A menos que os pregadores adquiram e mantenham as convicções próprias e, portanto, atitudes que decorrem delas nas Escrituras, eles falharão em pregar do modo que agrade a Deus.

A eficácia da nossa pregação não é determinada pelo número de pessoas que a estão presenciando, nem pelo número de profissões de fé, mas pela fidelidade dos pregadores à mensagem que somos chamados a pregar. Aqueles que não proclamam a

Palavra de Deus fielmente podem alegar números e supostas conversões e profissões de fé. E alguns que fazem isso falham em atrair seguidores em grandes números.

O Deus soberano é o que produz os resultados. Quando Isaías começou a pregar a um povo rebelde, foi informado anteriormente que os resultados seriam mínimos porque o povo carecia dos olhos para ver e dos ouvidos para ouvir.

O fracasso para obter resultados visíveis, entretanto, não deve ser usado como uma desculpa para pregações defeituosas.

Essa mensagem, em toda ocasião, precisa ser fiel à Bíblia. O pregador é um arauto {keryx) cuja incumbência é transmitir a verdade de Deus a seu povo e chamar os eleitos do mundo para a igreja.

Para esses fins, precisamos entender o que se exige de nós e como atingir isso.

3. As Escrituras são as inerrantes e inspiradas palavras escritas de Deus

Todos os verdadeiros pregadores reconhecem a Bíblia como uma fonte da qual aprendem e proclamam a verdade de Deus. Eles aceitam o que lêem ali como palavra inspirada e inerrante nos originais.

Por “inspiração” (o termo em 2Tm 3.16 significa “soprado por Deus”), eles entendem que as palavras bíblicas são tanto a palavra de Deus como se ele as tivesse dito por meio do sopro.

Se alguém pudesse ouvi-lo falar, ele não diria nada mais nada menos e nada diferente do que está escrito por meio dos seus apóstolos e profetas. As Escrituras são as exatas palavras de Deus por escrito.

4. A pregação é uma responsabilidade sagrada

A atitude que essas convicções deveriam trazer à tona é a reverência pelo texto que o pregador expõe, junto com um grande desejo de aprender o que cada trecho significa, de modo a comunicar esse entendimento dessa mensagem àqueles que ouvem.

Além disso, intérpretes de confiança das Escrituras reconhecem que estão lidando com a informação mais importante de toda a vida e querem ser fiéis ao fazer isso.

Nós não nos ocuparemos com um estudo ordinário ou com a preparação inadequada de mensagens.

Reconheceremos que em tudo que dizemos representamos o Deus do universo e que, se falharmos em entender ou proclamar fielmente a verdade, distorceremos a Deus.

Ser fiel ao texto e ao Espírito Santo que fez com que ele fosse escrito é nossa preocupação fundamental. Em relação a isso, ministros conscientes sempre mantêm 2 Timóteo 2.15 como seu referencial.

5. As Escrituras foram planejadas não apenas para os ouvintes originais, mas para nossos ouvintes singulares de hoje

Como arautos que levam uma mensagem de Deus àqueles que a ouvem, nós não ficaremos satisfeitos com uma abordagem do texto que o enxerga como do passado, algo longínquo.

Nós somos gratos porque as Escrituras são para todos os tempos, para pessoas em todos os países.

Nós nos lembramos das palavras de Paulo quando ele declarou que “essas coisas [do Antigo Testamento] ocorreram como exemplos para nós” (ICo 10.6) e que “foram escritas como advertência” (v. 11).

Conseqüentemente, precisamos entender que a mensagem do texto é para a edificação de nossos ouvintes tanto quanto para aqueles a quem ela foi originariamente escrita.

Acreditando nisso, precisamos pregar o texto como uma mensagem contemporânea.

Nós direcionaremos as palavras do texto à nossa congregação como se elas tivessem sido escritas com eles em mente.

Nós fazemos assim porque, como Paulo explicou, esse é o fato verdadeiro. Portanto, não faremos preleções em relação ao que aconteceu com os amalequitas; antes, falaremos a respeito de como a experiência deles está relacionada aos nossos membros da igreja.

Isso significa que não pregaremos sobre os amalequitas, mas sobre Deus e seu povo a partir do relato do procedimento de Deus com os amalequitas. Nossa pregação, então, será vigorosa e contemporânea em sua natureza.

Os pregadores hoje, como o Senhor que poderosamente escreveu a sete de suas igrejas em Apocalipse 2 e 3, analisam sua congregação de forma que o que pregarem atinja suas necessidades.

Embora a pregação possa ser expositiva, como quando alguém prega um livro em seqüência, a própria escolha do livro bíblico deve ser feita tendo essas necessidades em mente.

6. A intenção originária do texto determina sua mensagem para os ouvintes hoje

Pregadores instruídos precisam demarcar partes das Escrituras para sermões com base em sua intenção.

Essa intenção também pode ser referida como o telos ou o propósito do trecho. Toda passagem de pregação, então, é selecionada porque em si mesma é uma mensagem completa de Deus.

Essa mensagem pode ser parte de uma maior, mas é uma mensagem que desafia o ouvinte a crer, a desacreditar, mudar ou a fazer alguma coisa que Deus deseja e que, no final das contas, contribuirá para os dois grandes propósitos da Bíblia ajudar os membros da nossa congregação a amar a Deus e a seu próximo.

Em toda a história da pregação, infelizmente isso com frequência não foi assim.

Pregadores usam as Escrituras para seus próprios propósitos e não para os propósitos
para os quais elas foram dadas, assim perdendo o poder inerente a qualquer trecho usado na pregação.

Não é sem razão que o evangelho de João é usado mais frequentemente que qualquer outro para levar ao conhecimento salvador de Jesus Cristo; ele foi escrito para esse propósito.

O Espírito, que produziu a Bíblia, abençoa seu uso quando a intenção do pregador é a mesma que a sua própria.

7. O tema de cada mensagem é Deus e Pessoas

A pregação contemporânea que proclama a mensagem de Deus a seu povo é sempre pessoal. Isso significa que o pregador não tentará pregar na forma de uma aula expositiva. Nós precisamos evitar a linguagem e os conceitos abstratos.

Não falaremos a respeito da Bíblia, mas vamos pregar sobre Deus e sua congregação a partir da Bíblia. Precisamos “abrir” as Escrituras como Jesus o fez (Lc 24.32), informando nossos ouvintes sobre seu conteúdo, mas sempre tornando visível a relevância do texto para eles.

Nós reconhecemos que não estamos apenas fazendo um discurso, mas estamos pregando para pessoas sobre sua relação pessoal com Deus e seu próximo. Isso quer dizer: precisamos delinear nosso sermão no modo da segunda pessoa.

A palavra predominante não será eu, ele, ela ou isso, mas você. Precisamos aproveitar
a deixa acerca desse aspecto da pregação de Jesus no Sermão do Monte.

8. A clareza é fundamental

A fim de pregarmos de forma eficiente, precisamos adotar um estilo claro e simples que é facilmente entendido por aqueles que ouvem.

Precisamos reconhecer que o apóstolo Paulo declarou que ser claro é uma obrigação (Cl 4.4) e até mesmo pediu que seus leitores orassem para que Deus o ajudasse a cumprir sua obrigação.

Não apenas nós mesmos oraremos pela nossa pregação, mas é necessário fazer com que nossa congregação se interesse por fazer isso também.

Em nossos esforços para manter completa clareza, precisamos adotar uma linguagem não técnica (a não ser que a expliquemos).

Precisamos evitar terminologias “tediosas”, termos obsoletos e estilo antiquado. Precisamos proclamar a mensagem de Deus sem entonações estranhas, cacoetes ou qualquer outra coisa que chame a atenção para si mais do que para a verdade.

Nós mesmos precisamos permanecer no fundo da cena o máximo possível, confiando que Cristo está na frente da mensagem.

A fim de atingirmos clareza, usaremos ilustrações e exemplos que ajudem os leitores na compreensão.

Essas ilustrações e exemplos precisam ser escolhidos primariamente das experiências contemporâneas, de modo que por meio deles sejamos capazes de demonstrar não apenas o que a passagem significa no dia-a-dia, que ela é prática, e não apenas teórica, mas também como Deus espera que o leitor se aproprie da verdade.

A verdade de Deus não deve ser misturada desordenadamente na proclamação.

Ela deve fluir inexoravelmente do começo ao fim de maneira racional e lógica. Isso significa que um pregador diligente toma tempo para pensar não apenas a respeito do conteúdo, mas também sobre a forma em que ele é apresentado.

Pregadores que realmente se importam trabalham para tornar a verdade de Deus tão simples e fácil de entender quanto possível (sem perda de significado), para que o seu rebanho possa recebê-la facilmente.

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9. Nosso dever é pregar corajosamente

Pregadores humildes são parecidos com o apóstolo Paulo, que pediu por oração para que, “destemidamente” tornasse “conhecido o mistério do evangelho” (Ef 6.19).

Eles se lembram do que pode ser chamado de a oração do pregador, em que o discípulo orou para comunicar a palavra de Deus “corajosamente” (At 4.29).

Pregadores desse tipo reconhecem que a palavra para “coragem” usada aqui e em todo o livro de Atos, a que caracterizou a pregação do Novo Testamento, significa “liberdade para falar sem medo das conseqüências”.

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